A importância de uma boa colostragem para as bezerras
O colostro é a primeira secreção da glândula mamária em até 24 horas após o parto, e também é a primeira alimentação dos bezerros após o nascimento. Essa secreção tem uma composição diferenciada, o que é extremamente importante para suprir imunoglobulinas aos recém-nascidos; ou seja, ela influencia diretamente no sistema imune do animal. Além do alto teor de anticorpos, essa secreção é rica em sólidos totais, como proteínas, gordura, vitaminas e minerais.
A colostragem consiste na administração de quantidade adequada de colostro de qualidade nas primeiras horas de vida e é um dos aspectos mais importantes para o sucesso na criação de bezerras leiteiras para reposição e, consequentemente, para evolução genética dos rebanhos.
As bezerras recém-nascidas são animais desprovidos de anticorpos, devido ao tipo de placenta dos ruminantes, e, por isso, dependem do consumo de colostro para as defesas no início da vida. Além disso, ao nascer, este animal sofre uma série de alterações metabólicas, muitas das quais vão exigir “combustível metabólico”, que num primeiro momento é exatamente o colostro, um alimento rico em gordura e proteína.
O produtor pode monitorar a qualidade do colostro através da concentração de imunoglobulinas presentes. Você pode fazer esse monitoramento de forma rápida dentro da fazenda através do método de refratômetro de Brix. A partir desse método é possível mensurar uma porcentagem de Brix que está associada à concentração de imunoglobulinas. Recomenda-se que utilize colostro com pelo menos 21% de Brix. No entanto, o ideal é usar aquele com valores acima de 23%, o que equivale a um colostro com >50 g de IgG/L.
Muito embora se tenha uma ideia de que o colostro é importante para o início da vida das bezerras, devido aos efeitos mais imediatos relacionados à transferência de imunidade passiva e proteína e energia (o combustível metabólico), a colostragem tem também muitos efeitos de longo prazo.
Vários trabalhos de pesquisa já demonstraram que existem altas correlações entre eficiência de colostragem e redução da mortalidade após o desaleitamento, aumento nas taxas de crescimento, redução na idade ao primeiro parto, aumento na produção na primeira e segunda lactação, além de menor risco de descarte na primeira lactação.
As recomendações de colostragem em termos de tempo de fornecimento eram de que o animal deveria receber colostro até no máximo 6h após o nascimento, pois neste período o intestino tem maior capacidade de absorção de anticorpos. Após estas 6h, esta capacidade vai sendo reduzida, até que por volta de 18-24h o intestino não absorve mais estas grandes moléculas. A quantidade de colostro fornecida à bezerra está associada à sua qualidade, ao peso do animal ao nascer, assim como outros fatores. O ideal é o animal receber um colostro com concentração de imunoglobulinas adequada para que ele alcance uma concentração plasmática mínima de 10g/L de imunoglobulinas. Normalmente, o recomendado é fornecer pelo menos uma quantidade de colostro que seja 10% do peso vivo do bezerro ao nascimento para que a colostragem seja eficiente.
A colostragem pode ser feita através de mamadeiras ou então via sonda esofágica, dependendo do manejo adotado pela fazenda. Uma opção para o fornecimento da quantidade ideal de colostro em casos onde a vaca não produziu quantidade suficiente é ter um banco de colostro na fazenda, onde é possível ter acesso a um colostro de boa qualidade e congelado para fornecer aos recém-nascidos.
O recomendado está em fazer o básico bem feito, ou seja, adotar um adequado manejo de colostro que se fundamente nos quatro pilares: tempo, qualidade imunológica, qualidade microbiológica e quantidade de colostro ingerida.





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