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Cetose em vacas leiteiras

Feb 16, 2023
3 min read

A cetose é uma doença metabólica que afeta animais de alta produção, especialmente as vacas leiteiras. Ela ocorre em decorrência de uma desordem no metabolismo energético da gordura, durante períodos de aumento de sua utilização no fígado (RIET-CORREA et al., 2001). Com isso há produção de corpos cetônicos, estabelecendo-se a cetose (quando compostos cetônicos excedem o seu uso por parte dos músculos e tecidos como fonte alternativa de energia) (SCHEIN, 2012).

É muito comum encontrar casos de cetose em vacas leiteiras, porém existe uma grande dificuldade em diagnosticar a doença, já que na maioria das vezes a forma apresentada da doença é a subclínica, ou seja, não aponta nenhum sintoma. Porém, quando a doença se apresenta na forma clínica, alguns sintomas são perceptíveis:

  • Perda de apetite;

  • Sinais clínicos nervosos – sonolência, olhar fixo, cambaleio, ataxia, andar em círculos, espasmos e cegueira parcial;

  • Pode apresentar comportamentos bizarros, como agressividade e delírio;

  • Odor de acetona no hálito, urina e até no leite;

  • Diminuição da produção leiteira;

  • Rápida perda de peso;

  • Alguns animais podem apresentar excitação, mas em sua maioria ficam apáticos;

Mais importante que a detecção da cetose clínica é a detecção da forma subclínica, uma vez que os custos relacionados a essa enfermidade são maiores do que os da forma clínica. Por isso torna-se indispensável o monitoramento preciso e precoce da cetose subclínica (ARAUJO, 2013). A forma mais prática e eficaz é através da mensuração de corpos cetônicos no sangue (BHB). Recomenda-se também que seja realizado o monitoramento constante dos animais, observando o comportamento, a alimentação e os outros índices zootécnicos, além de fazer regularmente os exames através do leite, sangue e urina.

A maior incidência ocorre em animais de maior produção de leite, ou seja, vacas de alta produção entre a 3ª e 5ª lactação têm grandes chances de desenvolver cetose subclínica pós-parto. No Brasil existe um agravante que é a alta temperatura e umidade ao longo ano, principalmente no verão. Animais com estresse térmico e falta de conforto têm mais chances de apresentarem cetose e qualquer outro tipo de doença infeciosa e metabólica durante o periparto. Isso, quando comparados aos rebanhos encontrados em ambiente com temperatura, umidade e conforto adequados.

Prevenir ainda é o melhor remédio por isso é importante fazer um balanceamento correto da dieta de novilhas e vacas no período de transição. Monitorar o escore corporal para que o animal não esteja muito gordo no momento do parto. São cuidados simples e que farão com que a cetose fique longe do seu rebanho de leite.

O ideal é que o profissional da área avalie o quadro da vaca e proponha o melhor tratamento. De acordo com pesquisadores da Embrapa Amaury Apolonio e Tânia Dantas, o tratamento é feito, utilizando-se 500 mL de glicose a 50%, durante três dias por via endovenosa e de 150 mL de propilenoglicol pela via oral e pelo mesmo período de tempo. Casos graves podem ter esse tratamento associado ao uso de glicocorticóide e insulina (0,33 U/Kg de peso vivo a cada 12 horas), também durante três dias. Vários estudos epidemiológicos somando mais de 450.000 animais demostraram que em média a cetose subclínica está associada com redução de 5% na produção de leite em toda a lactação. O impacto econômico direto de uma fazenda de 3.000 litros de leite/dia é de menos 150 litros de leite, ou seja, esse produtor deixa de produzir, praticamente, 55.000 litros de leite ao longo do ano. Porém os grandes prejuízos estão relacionados ao aparecimento de outras doenças de raiz energética. A prevalência da cetose subclínica está associada ao aumento de cetose clínica, deslocamento de abomaso, retenção de placenta, metrite/endometrite, mastite e hipocalcemia em propriedades leiteiras. Dessa forma, os prejuízos causados por tratamentos, descarte dos animais, descarte de leite, mão de obra, além de baixa produção e eficiência reprodutiva são, muitas vezes, irreversíveis durante a lactação.A melhor maneira de reduzir as doenças descritas acima é melhorando o status energético do rebanho - reduzindo a cetose subclínica por meio de um ótimo monitoramento diário e pensando em estratégias de alimentação e manejo aplicáveis à propriedade.Atualmente, sem sombra de dúvidas, a cetose subclínica acomete entre 50-60% dos animais de todos os rebanhos de média/grande produção do nosso país.



 
 
 

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