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Hipocalcemia em vacas leiteiras

Nov 24, 2022
3 min read

Também conhecida como “febre do leite”, é uma doença metabólica que acomete bovinos, principalmente após o parto. A hipocalcemia é a baixa concentração de cálcio no sangue e está relacionada à alta demanda de cálcio pela glândula mamária, mecanismos fisiológicos do parto, e a mudança abrupta de exigência de cálcio durante o pós parto. No dia do parto, a necessidade de cálcio para produção de colostro é nove vezes maior que a quantidade presente no sangue. Porém, a homeostase de cálcio demora em torno de 48 horas, levando ao quadro de hipocalcemia. Em consequência disso, a maioria das vacas passa por um período de hipocalcemia no periparto, denominado “período de transição” (3 semanas pré-parto a 3 semanas pós-parto).

O somatório de mudanças ambientais, fisiológicas e metabólicas gera esse desequilíbrio e afeta a produtividade dos animais nessa fase. A maior incidência é entre as vacas leiteiras mais velhas (a partir da terceira cria), pois estes animais têm menor reabsorção óssea de cálcio. Além disso, um importante mecanismo que o organismo lança mão para manutenção dos níveis de cálcio é o aumento da absorção intestinal desse íon. Na vaca, o número de receptores intestinais declina com a idade e assim, as vacas mais velhas tornam-se menos capazes de responder ao hormônio, havendo necessidade de um tempo mais longo para adaptação dos mecanismos intestinais para absorção de cálcio. Outro fator intrínseco aos animais é a raça. Raças de corte são menos acometidas do que vacas de leite, evidentemente por produzirem menor volume de leite. Dentre as raças leiteiras destacam-se as raças Holandesa e Jersey, mas mesmo com menores volumes absolutos na produção de leite, as vacas Jersey são mais comumente afetadas.

O animal acometido por hipocalcemia pode apresentar diferentes sinais clínicos, sendo que o conjunto de sinais apresentado é uma forma de se classificar o estágio da doença, porém mais preocupante é a hipocalcemia subclínica, na qual não se observa sinais clínicos evidentes e geram consequências impactantes dentro do sistema de produção como, retenção de placenta, metrite, queda no consumo de matéria seca além de impactar nos índices reprodutivos.

O diagnóstico da hipocalcemia subclínica é feito através de um medidor da concentração plasmática de cálcio no sangue nos 3 primeiros dias após o parto.

Nesse contexto de hipocalcemia subclínica, a dieta aniônica é uma das principais estratégias para sanar essa doença metabólica. A dieta aniônica é muito importante no pré-parto, pois ativa mecanismos capazes de aumentar o cálcio no sangue. O que a caracteriza é a maior concentração de ânions em relação a concentração de cátions. Os cátions e ânions são os eletrólitos da dieta. Os ânions têm carga negativa, por exemplo: cloro (Cl–). Já os cátions possuem carga positiva, tendo como exemplo o sódio (Na+), potássio (K+), cálcio Ca++). Se a diferença cátion aniônica da dieta (DCAD) é positiva, a dieta é considerada mais catiônica e quando negativo, é considerada mais aniônica. A dieta aniônica ideal tem

DCAD entre –10 e –20 meq/100 g de MS (matéria seca). O fornecimento de uma dieta aniônica torna o pH do sangue mais ácido. A acidez do sangue estimula a ação do paratormônio e vitamina D, que causam a mobilização do cálcio dos ossos para o sangue, aumentando também a absorção intestinal e reduzindo

a excreção urinária de Ca. Um método fácil e barato de monitorar o efeito dos sais aniônicos sobre o equilíbrio ácido-básico é a medição do pH urinário. Segundo Jardon, em um estudo em 1995, recomendam-se valores de pH urinário entre 5,5 e 6, sendo que o pH urinário abaixo de 5,5 pode levar à diminuição do consumo sem o benefício adicional da prevenção de hipocalcemia. Para que os mecanismos de manutenção da calcemia estejam ativos ao parto, recomenda-se o uso de dietas

aniônicas por um período mínimo de 21 dias antes do parto. Vale ressaltar, mais uma vez, que estas ações devem ser feitas sempre com a orientação de um profissional capacitado. O manejo nutricional das vacas no pré e pós-parto é uma questão na qual o produtor deve ficar atento, a fim de evitar maiores complicações, principalmente se tratando de animais predisponentes ao desenvolvimento da hipocalcemia, e as doenças causadas como consequência da mesma.



 
 
 

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